29/10/2009
Cerveja com alto teor alcoólico causa polêmica
Uma cervejaria escocesa chamada BrewDog alega que lançou a cerveja mais forte da Grã-Bretanha, com 18,2% de teor alcoólico. A cerveja, chamada Tokyo, vem em uma garrafa de 330 ml e tem seis unidades de álcool, duas vezes o limite médio diário recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para um homem adulto.
Cada unidade significa 10g de álcool. Segundo a OMS, homens não devem exceder a ingestão de 21 unidades por semana e as mulheres, 14 unidades.
A Tokyo usa em sua composição jasmim, cranberries (uma fruta do hemisfério norte), malte e lúpulo americano, e é fermentada com levedura de champanhe para aumentar o teor alcoólico.
O lançamento da BrewDog foi criticado por instituições relacionadas ao alcoolismo, mas a cervejaria insistiu que a nova bebida vai ajudar a combater a cultura local do consumo rápido de grandes quantidades de bebida alcoólica. "Cervejas produzidas em massa, industrializadas, são tão suaves e sem sabor que você fica inclinado a beber uma grande quantidade", afirmou o fundador da BrewDog, James Watt.
Ele afirma que está desafiando as pessoas a consumir menos bebidas alcoólicas e educando o paladar dos apreciadores com cervejas artesanais que possuem profundidade de sabor, corpo e caráter.
Porém, para a Alcohol Focus Scotland, uma organização não governamental (ONG) escocesa que combate o alcoolismo, o argumento da cervejaria é um engano e a alta porcentagem de álcool da Tokyo pode causar tantos danos quanto o excesso de bebidas.
"Esta companhia está completamente enganada se pensa que uma cerveja com 18,2% de álcool por volume vai ajudar a resolver os problemas da Escócia com bebidas alcoólicas", afirmou Jack Law, diretor executivo da organização. Ele acrescentou que é absolutamente irresponsável lançar uma cerveja tão forte em um momento em que a Escócia enfrenta níveis sem precedentes de problemas de saúde e sociais relacionados ao álcool.
.
Fonte: http://www.bancodesaude.com.br/guia-saude/143529072009-cerveja-com-alto-teor-alcoolico-causa-polemica
27/10/2009
Síndrome de Abstinência Alcoólica

A Síndrome de Abstinência Alcoólica corresponde às mudanças pelas quais o corpo passa quando uma pessoa subitamente deixa de beber depois de usar álcool de forma intensa e prolongada. Os sintomas incluem tremores, insônia, ansiedade e outros sintomas físicos e mentais.
O Álcool tem um efeito lentificador no cérebro (também chamado efeito sedativo ou efeito depressor). Em uma pessoa que bebe muito, a longo prazo, o cérebro é exposto quase continuamente ao efeito depressor do álcool. Com o passar do tempo, o cérebro ajusta sua própria química para compensar este efeito. Ele faz isso através da produção de substâncias químicas naturalmente estimulantes (como a serotonina ou a noradrenalina - que são “parentes” da adrenalina) em quantidades maiores que as normais. Se o álcool é retirado de repente, o cérebro se comporta como um veículo acelerado que perdeu os freios. Conseqüentemente, a maioria dos sintomas da abstinência alcoólica (retirada) são sintomas que acontecem quando o cérebro é superestimulado.
A forma mais perigosa de abstinência alcoólica acontece em uma em cada 20 pessoas que têm síndrome de abstinência. Esta condição é chamada Delirium Tremens. No Delirium Tremens, o cérebro não pode reajustar sua química lentamente depois que o uso álcool foi interrompido. Isto cria um estado de confusão temporária e leva a perigosas mudanças na maneira como o cérebro regula a circulação e a respiração. Os sinais vitais do corpo como sua freqüência cardíaca ou a pressão sanguínea podem mudar drasticamente, de forma imprevisível, levando ao risco de ataque do coração, derrame cerebral ou morte.
Se o cérebro já está acostumado aos hábitos da pessoa que bebe muito, ele pode levar algum tempo para se ajustar novamente. A síndrome de abstinência ao álcool ocorre em um padrão previsível depois da última bebida alcoólica. Nem todos os sintomas se desenvolvem em todos os pacientes:
Tremores – Os tremores normalmente começam entre 5 e 10 horas após a última bebida e alcançam o máximo entre 24 e 48 horas. Junto com os tremores, pode haver taquicardia (pulso rápido), aumento da pressão sanguínea, respiração rápida, sudorese, náuseas, vômitos, ansiedade ou um estado de alerta hiperativo, irritabilidade, pesadelos, além de insônia.
Alucinações – Este sintoma normalmente começa dentro de 12 a 24 horas depois da última bebida, e pode durar até dois dias após ter começado. Se isto acontecer, a pessoa alucina (vê ou sente coisas que não são reais). É comum às pessoas que estão abstinentes do álcool verem múltiplos objetos pequenos, semelhantes, se movimentando. Às vezes a visão é de insetos rastejando, estrelinhas piscando ou moedas caindo. É possível que uma alucinação na abstinência alcoólica seja uma visão muito detalhada e imaginativa.
Ataques epiléticos da abstinência alcoólica - Ataques epiléticos podem acontecer de 6 a 48 horas após a última bebida, e é comum vários ataques epiléticos acontecerem por várias horas. O pico de risco é de 24 horas. Em geral eles são ataques epiléticos do tipo tônico-clônicos (como no mal epilético).
Delirium Tremens - O delirium tremens começa geralmente de dois a três dias depois da última bebida, mas pode demorar mais de uma semana para aparecer. Sua intensidade de pico normalmente alcança quatro a cinco dias da última bebida. Esta condição causa alterações perigosas na respiração, na circulação e no controle de temperatura. Pode fazer o coração bater muito rápido ou pode fazer a pressão sanguínea aumentar dramaticamente; e pode causar desidratação perigosa. O delirium tremens também pode reduzir temporariamente a quantidade de fluxo de sangue ao cérebro. Os sintomas podem incluir confusão mental, desorientação, estupor ou perda de consciência, comportamento agressivo, convicções irracionais, sudorese, perturbações do sono e alucinações.
A abstinência alcoólica é fácil de se diagnosticar se a pessoa tiver sintomas típicos que aparecem depois que ela deixa de beber de forma “pesada”, habitual. Se o paciente tiver uma experiência no passado de ter tido síndrome de abstinência, é provável que venha a devolver se novamente interromper a bebida subitamente. Não há nenhum exame específico que possa ser usado para diagnosticar a síndrome de abstinência alcoólica.
Se o paciente já teve outros episódios de síndrome de abstinência alcoólica, significa que ele já consumiu álcool o bastante para ter danificado outros órgãos. É preciso discutir com o médico sobre este problema para que ele possa examinar cuidadosamente a pessoa. Ele irá solicitar exames de sangue para verificar o quanto o álcool causou lesão ao fígado, ao coração, aos nervos dos pés, às células do sangue, e ao trato gastrintestinal. Ele irá avaliar a dieta que o paciente habitualmente consome e irá checar as deficiências de vitamina que possam existir, pois a desnutrição é comum quando alguém é dependente do álcool.
Normalmente é difícil para as pessoas que bebem serem completamente honestas sobre o quanto elas têm bebido. É preciso que a pessoa informe a história do consumo de álcool para que ela assim possa ser tratada seguramente da síndrome de abstinência.
O alcoolismo é causado por muitos fatores. Se a pessoa tiver um irmão ou pai com alcoolismo, ela tem três a quatro vezes mais probabilidade de desenvolver o alcoolismo que a média da população. Algumas pessoas com histórias familiares de alcoolismo escolhem se privar de beber, pois desta forma garantem que o hábito não se desenvolva. Muitas pessoas sem uma história familiar também desenvolvem alcoolismo. Se a pessoa tem se preocupado com a quantidade de bebida que tem consumido, ela deve conversar com seu médico.
Se a pessoa tiver vômitos severos, ataques epiléticos ou Delirium Tremens, o lugar mais seguro para ela ser tratada é em um hospital. Para o Delirium Tremens, o tratamento em uma Unidade de Cuidados Intensivos (UTI) é freqüentemente indicado. Em uma UTI, a freqüência cardíaca, a pressão sanguínea e a freqüência respiratória serão monitoradas de perto no caso de ser necessário um suporte de vida de emergência (como respirar artificialmente por uma máquina).
Medicamentos chamados benzodiazepínicos podem minorar a síndrome de abstinência do álcool. Os medicamentos geralmente usados neste grupo incluem o Diazepam (Diempax ®, Valium ®), o Clordiazepóxido (Psicossedin ®) e o Lorazepam.
A maioria das pessoas que consome muito álcool e que estão tendo síndrome de abstinência tem uma escassez de várias vitaminas e minerais e podem beneficiar de suplementos nutricionais. Em particular, o abuso do álcool pode criar uma escassez de folato, de tiamina, de vitamina B12, de magnésio, de zinco e de fosfato. O álcool também pode causar baixos níveis de açúcar no sangue.
Recomenda-se que um especialista (psiquiatra) ajude nos cuidados de uma pessoa que está com abstinência alcoólica.
Peça ajuda se você ou alguém que você ama tem um problema relacionado ao álcool. O alcoolismo é uma doença que pode ser tratada.
Se você tem um problema de dependência do álcool e decidiu deixar de beber, procure um psiquiatra ou clínico geral e peça ajuda. Eles poderão aconselhá-lo e poderão prescrever medicamentos para tornar a síndrome de abstinência mais tolerável, caso ela aconteça. O médico também pode colocá-lo em contato com recursos locais que o ajudarão a ficar livre do álcool, como os Alcoólicos Anônimos (AA).
A abstinência alcoólica é comum, mas o Delirium Tremens só acontece em 5% das pessoas que têm abstinência alcoólica. O delirium tremens é perigoso, matando até 1 em cada 20 pessoas que desenvolvem seus sintomas.
Depois que a abstinência estiver completa, é essencial que não se comece a beber novamente. Programas de tratamento do alcoolismo são importantes porque eles melhoram as chances de se ficar fora de álcool a longo prazo. Só aproximadamente 20% dos alcoólicos conseguem se privar permanentemente do álcool sem a ajuda de tratamento formal ou de programas de auto-ajuda como Alcoólicos Anônimo (AA). Das pessoas que acompanham o AA, 44% daquelas que permaneceram livres do álcool por um ano provavelmente permanecerão abstinentes durante mais um ano. Este cenário aumenta para 91% para aqueles que permaneceram abstinentes e acompanharam o AA durante 5 anos ou mais.
22/10/2009
Álcool e Sistema Nervoso Central
O álcool atua como um depressor de muitas ações no Sistema Nervoso Central (SNC) e seus efeitos sobre este são dose-dependentes (veja quadro 1).
Em pequenas quantidades, o álcool promove desinibição, mas com o aumento desta concentração, o indivíduo passa a apresentar uma diminuição da resposta aos estímulos, fala pastosa, dificuldade à deambulação, entre outros. Em concentrações muito altas, ou seja, maiores do que 0.35 gramas/100 mililitros de álcool, o indivíduo pode ficar comatoso ou até mesmo morrer. A Associação Médica Americana considera como uma concentração alcoólica capaz de trazer prejuízos ao indivíduo 0.04 gramas de álcool/100 mililitros de sangue. 1
Adaptado de Dubowski, K.M, 1985 (2)
Efeitos do Álcool Sobre os Neurotransmissores
O etanol é uma substância depressora do SNC e afeta diversos neurotransmissores no cerébro, entre eles, o ácido gama-aminobutírico (GABA) e o glutamato.
GABA
O ácido Gama-amino-butírico é o principal neurotransmissor inibitório do SNC. Existem dois tipos de receptores deste neurotransmissor: o GABA-alfa e o GABA-beta, dos quais, apenas o GABA-alfa é estimulado pelo álcool. O resultado é um efeito ainda mais inibitório no cérebro, levando ao relaxamento e sedação do organismo. Diversas partes do cérebro são afetadas pelo efeito sedativo do álcool, tais como aquelas responsáveis pelo movimento, memória, julgamento e respiração.
Evidências científicas sugerem que o álcool inicialmente potencializa os efeitos do GABA, aumentando os efeitos inibitórios, porém, com o passar do tempo, o uso crônico do álcool reduz o número de receptores GABA por um processo de ?down regulation? o que explicaria o efeito de tolerância ao álcool, ou seja, o fato do indivíduos necessitarem de doses maiores de álcool para obter os mesmos sintomas anteriormente obtidos com doses menores. 3Os sintomas de abstinência podem ser explicados pela perda dos efeitos inibitórios, combinado com a deficiência de receptores GABA. A interação entre o etanol e o receptor para o GABA foi melhor estabelecida a partir de estudos que demonstraram haver redução de sintomas da síndrome de abstinência alcoólica pelo uso de substâncias que aumentam a atividade do GABA, como os inibidores de sua recaptação e os benzodiazepínicos, mostrando a possibilidade do sistema GABAérgico ter efeito na fisiopatologia do alcoolismo humano.3 Glutamato O glutamato é o neurotransmissor excitatório mais importante do cérebro humano, parecendo ter um papel crítico na memória e cognição. O álcool também altera a ação sináptica do glutamato no cérebro, reduzindo a neurotransmissão glutaminérgica excitatória. Devido aos efeitos inibitórios sobre o glutamato, o consumo crônico do álcool leva a um aumento dos receptores glutamatérgicos no hipocampo que é uma área importante para a memória e envolvida em crises convulsivas. Durante a abstinência alcoólica*, os receptores de glutamato, que estavam habituados com a presença contínua do álcool, ficam hiperativos, podendo desencadear de crises convulsivas à acidentes vasculares cerebrais. 3*Síndrome de abstinência - Inicia-se horas após a interrupção ou diminuição do consumo. Os tremores de extremidade e lábios são os mais comuns, associados a náuseas, vômitos, sudorese, ansiedade e irritabilidade. Casos mais graves evoluem para convulsões e estados confusionais, com desorientação temporal e espacial, falsos reconhecimentos e alucinações auditivas, visuais e táteis (delirium tremens).4Outros neurotransmissores O Álcool estimula diretamente a liberação de outros neurotransmissores como a serotonina e endorfinas que parecem contribuir para os sintomas de bem-estar presentes na intoxicação alcoólica. Mudanças em outros neurotransmmissores foram menos observadas.
Danos do Álcool ao Cérebro
Dificuldades em andar, visão borrada, fala arrastada, tempo de resposta retardado e danos à memória. De maneira clara, o álcool afeta o cérebro. Uma série de fatores podem influenciar o como e o quanto o álcool afeta o cérebro, a saber:
-Quantidade e freqüência de consumo de álcool;
-Idade de início e o tempo de consumo de álcool;
-Idade do indivíduo, nível de educação, gênero sexual, aspectos genéticos e histórico familiar de alcoolismo;
-Risco existente de exposição pré-natal ao álcool; e
-Condições gerais de saúde do indivíduo.
Transtorno Amnésico Alcoólico
O uso de álcool pode produzir danos detectáveis à memória após apenas algumas doses e à medida que o consumo aumenta, também aumentam os danos ao cérebro. Altas quantidades de álcool, especialmente quando consumidas de maneira rápida e com o estômago vazio, podem produzir um “branco” ou um intervalo de tempo no qual o indivíduo intoxicado não consegue recordar detalhes de eventos ou até mesmo eventos inteiros. Os estudos sugerem que as mulheres são mais susceptíveis do que os homens para vivenciar esses efeitos adversos sob mesmas doses de álcool. Essa ação parece estar relacionada às diferenças orgânicas existentes entre homens e mulheres no metabolismo dessa substância.
Síndrome de Wernicke-Korsakoff
Os danos causados pelo álcool no cérebro pode ser decorrentes tanto de causas diretamente ligadas ao uso de álcool como de fatores indiretos, como saúde geral debilitada ou doença hepática severa. A deficiência de tiamina, por exemplo, pode ser um desses fatores. A tiamina, conhecida também com vitamina B1, é um nutriente importante para todos os órgãos e tecidos, incluindo o cérebro.
Mais de 80% dos alcoolistas apresentam deficiência desse nutriente. Uma parcela dessas pessoas sofrerá conseqüências severas no cérebro tais como a Síndrome de Wernicke-Korsakoff. Trata-se de uma doença caracterizada por duas diferentes síndromes, uma de curta duração chamada Wernicke e outra permanente e bastante debilitante chamada Korsakoff. Os sintomas da Síndrome de Wernicke incluem confusão mental, paralisia dos nervos que movem os olhos e dificuldades de coordenação motora. Aproximadamente 80 a 90% desses pacientes manifestam a Síndrome de Korsakoff, caracterizada por perdas de memória anterógrada (eventos futuros) e de memória retrógrada (eventos passados).
A boa notícia fica por conta do fato de a maioria dos alcoolistas que apresentam problemas cognitivos apresentam ao menos alguma melhora nas estruturas cerebrais a partir de 1 ano de abstinência do álcool.
Bibliografia:1. The American Medical Association, Report 14 of the Council on Scientific Affairs (A-97)-Drivers Impaired by Alcohol(http://www.ama-assn.org/ama/pub/article/2036-8134.html)2. Dubowski, K.M (1985). Absorption, distribution and elimination of alcohol: Highway safety aspects. Journal of Studies on Alcohol (Suppl. 10):98-108. (http://www.rci.rutgers.edu/~cas2/journal/)3. Berman, M.O., Shagrin, B., Evert D.L., Epstein C. (1997). Impairments of Brain and Behavior ? The neurological effects of alcohol. Alcohol Health & Research World. Vol. 21, no. n1. (http://www.niaaa.nih.gov/publications/arh21-1/65.pdf)4. Site Álcool e Drogas sem Distorção (www.einstein.br/alcooledrogas)/Programa Álcool e Drogas (PAD) do Hospital Israelita Albert Einstein5. National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA) - Alcohol Alert, No 63, 2004 (http://pubs.niaaa.nih.gov/publications/aa63/aa63.htm)
